quinta-feira, 12 de maio de 2016

Minha mãe me criou queimando a mão na quentura de um fero de engomar

No culto em comemoração ao dia das mães muitas pessoas tiveram oportunidade de agradecer a Deus por suas mães. Na ocasião Juciê Gomes leu um poema do poeta Sebastião Dias.


Poema: Minha mãe me criou queimando a mão na quentura de um fero de engomar
Poeta: Sebastião Dias

Eu sou filho daquela lavadeira
Que a tardinha do rio regressava
Com o ganho da roupa que lavava
Sustentou meu estudo a vida inteira
Quantas vezes faltava em sua feira
O biscoito do filho merendar
Era um jeito de economizar
Investindo na minha educação
Minha mãe me criou queimando a mão
Na quentura de um ferro de engomar.

Mamãe soube enfrentar dificuldade
Mas me deu um futuro promissor,
O meu sonho de um dia ser doutor
Ela fez se tornar realidade,
Quando eu fui ingressar na faculdade
Prometi não decepcionar,
Fiz as provas do meu vestibular
E escrevi no final da redação:
Minha mãe me criou queimando a mão
Na quentura de um ferro de engomar.

Quando o mestre entregou o meu canudo
Que eu peguei no anel da formatura,
Pensei logo naquela criatura
Que na vida sofreu mas me deu tudo,
Minha roupa, meu pão e meu estudo
Minha mãe caprichou pra não faltar,
Se o filho com a mãe aprende a amar
Mamãe soube me dar essa lição:
Minha mãe me criou queimando a mão
Na quentura de um ferro de engomar.

Agradeço a mamãe minha rainha
Pelas noites que foi dormir sem sopa,
Por ganhar o meu pão lavando roupa
Que outro emprego também ela não tinha,
Mas agora a obrigação é minha
Vou ficar ao seu lado e lhe ajudar,
E toda vez que alguém me perguntar
Vou dizer com a voz do coração:
Minha mãe me criou queimando a mão
Na quentura de um ferro de engomar.

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